Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Into the Heart

Quando eu era criança meus pais viviam me dizendo que eu cheguei até eles numa espaçonave, vinda de outro planeta. Por muitos anos eu acreditei nisto, na verdade ainda não consigo deixar de desacreditar nisto.
Não consigo me lembrar bem das minhas primeiras memórias, mas lembro de viver numa casa perto de um cemitério, lembro que havia um limoeiro no quintal. Lembro que a vizinha era amiga da minha mãe. Lembro que meu pai trabalhava numa fábrica de cerveja, a mais famosa do país. Tenho poucas lembranças do meu pai nesta época, talvez porque ele saia para o trabalho logo cedo e voltava quase na minha hora de dormir. Lembro que eu e meu irmão gostávamos de Comandos em Ação, que 15 anos mais tarde descobri que era o mesmo que G.I. Joe.
Também lembro que nos mudamos várias vezes em 9 anos, dentro da mesma pequena cidade de Agudos, que na época era o tipo de cidade que todos se conheciam.
Lembro que percebi que minha família era um pouco diferente das outras em algum ponto da minha infância. Talvez pelo fato de recebermos visitas não-vivas constantemente, ou pelo fato de apesar de sermos 4 pessoas, na verdade éramos mais, apenas não eram visíveis. Ou poderia ainda ser pelo fato do meu pai um dia ter contruído uma antena para transmitir nossa televisão para seres extraterrestres. O vizinho perguntou se aquilo era uma antena para ET, mas pobre homem, mal sabia ele que era verdade.
Vamos ser sinceros, meu pai nunca foi muito fã de crianças. Ele não tinha um pingo de paciência e apesar de não assumir, o que ele queria naquela época era ainda ser solteiro e aproveitar as aventuras que a vida podia oferecer. Ele ainda tentava aproveitar, mas sem saber que estava cometendo um grande erro que ecoaria pelo resto da vida dele, através da minha mãe, do meu irmão e eu.
Eu fui uma criança quieta e lá pelos inícios da minha memória até os 9 anos tenho lembranças um pouco estranhas. Não consigo lembrar muito do meu irmão. Será que passamos os primeiros 10 anos de nossas vidas separados, de alguma forma? Lembro da TV, isso sim, de todas as manhãs estar em frente a TV assistindo desenhos e vendo aquilo expandir minha imaginação de uma forma que refletiria pelo resto da minha vida. A TV criou um mundo na minha mente, meu próprio mundo onde as regras fugiam às convencionais e onde o comportamento humano era muito mais profundo do que a real. A única desvantagem era que eu era o único habitante daquele mundo próprio.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Fazendo Música pra Surdo!


Morando na Inglaterra você encontra música em praticamento todo lugar. Principalmente em Londres. Andar pela Oxford Street é como andar em qualquer calçadão do Brasil (ok, não qualquer mas boa parte). Logo na primeira quadra há uma loja gigantesca de música chamada HMV onde geralmente está tocando uma das paixões nacionais: Coldplay, Keane, Oasis ou The Beatles. De lá para frente há o som dos rádios baratos das lojinhas de souvenirs e estúdios de tatoos da esquina. Pouco antes do final da rua há outra loja de música, que obviamente toca basicamente... Coldplay. Bom, não é bem aí que quero chegar. Afinal, neste exato momento estou sentado dentro da minha sala de aula, junto a meus colegas, onde o som toca... Coldplay. E olha que já não estou mais na Inglaterra, estou num país próximo. O negócio gira em torno da minha situação musical pois a cada vez que tenho que dar o relatório do meu passado (negro e claro) vem a calhar contar que meu pai teve uma banda e tocou por anos e anos ou que minha mãe ama música e é professora de piano e teclado. Também vem a calhar dizer que meu irmão conseguiu seguir esta linha e construir sua paixão em tocar guitarra. O bixo pega quando me perguntam "E você toca qual instrumento?" Putz! Nenhum, nem mesmo campainha pois sempre quero fazer uma gracinha com a capainha e som acaba ficando horrendo, do tipo:

"Pééééé-pé-péééé-pé"


Meu histórico musical foi o seguinte:

* Participante do coral da escola aos 8 anos
* Estudante de teclado por 3 meses aos 12 anos
* Estudante de teclado por 5 meses aos 13 anos
* Estudante de violão por 3 meses aos 14 anos

E daí para frente múltiplas tentativas frustradas de conquistar a amizade de algum instrumento musical, exemplos: voz, guitarra, teclado, youtube e o interfone do apartamento. A falta de dom é evidente mas mesmo assim nunca venceu a insistencia (teimosia). Quando respondo à pergunta acima as pessoas olham para mim com uma cara como se eu tivesse cometido um crime. Mas quem disse que não tenho algum talento? Estou cada vez mais perto de descobri-lo, pô!

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Entre Laços

Onde a vida de constantabilidade termina e a novela se torna um seriado.

Durante minha vida no Brasil as coisas que permanenciam fixas dia-a-dia pareciam se esvanecer ao final da semana e tornarem-se novas ao primeiro momento de certeza. Claro que todos nós sabemos que as coisas são passageiras, mas nunca nos damos conta de que elas poderiam ser mais passageiras se procurássemos tal destino incerto.

As pessoas chegavam à minha vida e eu segurava firme a quem meu espirito batia. Todos nós temos aqueles amigos do colegial, de anos atrás. Ou até mesmo de primário, de séculos atrás. Mas quando você decide abrir mão da corda que te amarra às coisas que chama de valiosas, as pedras se tornam semi-preciosas.

É brincar com o fogo até o fogo brincar com você.


Vim para o exterior com o objetivo de fazer algo de bom. Não para passar a imagem de santo porque de santo me falta muito, mas para cumprir uma de minhas metas na vida. E isto implica em muitas mudanças, é como dar um restart. Você sabe seu nome então pode dar um soco na parede. Ela vai quebrar em um oportuno e inseperado momento.

Estar pronto para conhecer novas pessoas torna todas as imagens que você vê instantâneas e seus olhos se tornam a janela de um trêm em movimento. Estas pessoas surjem como você chegou, com malas à mão e um enorme ponto de interrogação em cima da cabeça. Se aquele ponto de interrogação se encaixa ao meu ponto de exclamação há uma aproximação interessante, uma amizade construtiva de mãos dadas com a toda a lógica e ilógica deste plano doido.

Onde o morro termina e a montanha começa é onde estive, e agora tem muita gente atravessando esta montanha comigo. No momento que deve acontecer, algumas destas pessoas tomam um outro rumo. Ou eu mesmo decido rumar à uma trilha diferente.

Não importa, o destino é sempre o mesmo e a gente se encontra por aí, em algum lugar desta floresta!

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

PORTUGUESE LESSION FOR A BRAZILIAN


A língua portuguesa é algo estranho, engraçado e as vezes complicado. Eu sempre gostei de ler e escrever e sempre fiz meu possível para evitar erros de gramática. Não gostava de espanhol e achava o português de Portugal feio. Na verdade achava nosso português do Brasil uma língua pobre e desinteressante para a sociedade dentro e fora da nação.

E veja só como as coisas mudam, após começar a ensinar português para meus colegas internacionais na minha antiga escola na Inglaterra todas estas opiniões sobre minha língua foram colocadas à minha própria prova, os trilhos se romperam e o muro desabou.
Ouço que o português brasileiro é bonito, porque é cantado. Sim, eu gosto apesar de achar o português de certas partes do Brasil cantado demais.
E vejam só, eu gosto do português de Portugal, ele soa poético.

Vejam só, eu gosto de espanho
l agora e inclusive inevitavelmente o aprendi ano passado.

Vejam só, gosto muito do português do Brasil pois a batalha dos meus colegas de todas as partes do mundo para aprende-lo me surpreendeu e me mostrou o quanto afortunado sou por saber esta língua tão cativante.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

O Último Baile de Garagem

Eu sempre achei que conhecia meu pai bem o suficiente para ter uma opinião extremamente concreta sobre ele. E ele achava o mesmo sobre mim. Mas quando o mundo dá voltas que te tiram um pouco da órbita fica difícil dizer que tudo continua igual quando você coloca os pés de volta ao chão.
Há alguns dias atrás eu estava levando minha vida numa rotina cheia de tarefas que envolviam trabalho e estudo na Inglaterra, me preparando para fazer o trabalho voluntário na África. Foi quando meu celular tocou e ví que era minha mãe quem chamava. Na mesma hora já tive um mal-pressentimento pois estando há 10 meses no Reino Unido minha mãe nunca havia me ligado no celular e eu sabia que ela só ligaria em caso de emergência. Por exemplo, morte. E não foi diferente do que eu esperava, ela me trouxe a notícia que meu pai havia falecido. Eu só respondi "Eu sei." mas na verdade não sei bem como eu sabia.

Passei dias seguintes sendo assombrado pelo céu e inferno, com flash-backs de várias situacões e o sentimento de mea-culpa me rondando o tempo todo. Claro que eu não podia fazer nada para evitar, mas certamente podia ter aproveitado melhor o tempo com meu pai.Eu e ele tivémos uma relacão extremamente complicada durante anos, especialmente durante minha adolescencia (Ô época difícil!). Ele não era tolerante e eu também não facilitava nem um pouco. Minha revolta pelo modo que ele vinha me tratando desde que vim ao mundo se virava contra ele e todos ao meu redor, com as palavras mais idiotas que um adolescente pode dizer. Mas felizmente as pessoas crescem e num belo dia se tornam adultas. E quando certas circunstâncias levam à situacões de união por um bem maior, a aproximidade se torna inevitável.

Quando retornei do meu período de "vou crescer lá fora" terminou, em Maio de 2004, pudemos nos conhecer melhor. Meu pai se tornou o tipo de cara que se torna meu amigo. E conforme fui conhecendo-o melhor fui entendendo muitas coisas do passado.

Meu pai era roqueiro, sempre foi. Tocou em banda de rock nos anos 60 e durante os anos 70 e 80 continuou tocando com os mesmos amigos, apenas por diversão. Adorava rock progressivo e psicodelico. Entendi que sua frustracão por nunca ter se tornando um músico profissional se virou contra ele mesmo. Entendi que pelo fato de querer ser alguem desapegado às coisas materiais e possuir nada além de liberdade também se tornou uma frustracão ao se ver tendo em suas mãos uma família para tomar conta. E isso foi descarregado em mim e meu irmao por muito tempo.

Mas a influencias de tudo ao seu redor te obrigam a tomar caminhos incertos e o destino é sempre aquele momento que você se dá conta do que aconteceu, entende o porquê.

Desde que deixei meu país por um tempo, em Abril de 2008 eu vinha buscando meios de deixar meu pai contente. Fui no concerto de um guitarrista que ele adorava apenas para pegar o autógrafo para ele. Comprei um livro do John Lennon para ele e antes que eu pudesse enviá-lo, ele resolveu deixar este mundo.

Naquela noite do dia em que minha mäe me ligou eu pedi á qualquer coisa maior do que eu que permitisse que eu me despedisse do meu pai enquanto eu dormia. Não sei se isso aconteceu ou não mas de certa forma depois disto me senti mais tranquilo.

Agora me resta as memórias... E a cada vez que vou me deitar ler mais algumas páginas do livro que comprei para ele e nunca pude enviar. De relance, bato o olho no que escrevi para ele na contra-capa do livro:


"Pai, por todo lado há música e isto me faz lembrar de você a todo momento.
Assim como John te inspirou você me inspira.
Seu filho, Julian"



SIM! Digo sim!

Eu coloco acúcar no chá! E nada mais alternativo do que ser o único que coloca acúcar no chá. Não que eu queira ser alternativo, longe disto. Eu apenas acabo descarrilhando sem querer, sempre! Putz, e isso me causa problemas! Deixar de colocar acúcar no chá seria um comeco.

Mas que disse que eu quero deixar de colocar a droga do acúcar???

2008 Acabou!




E eu nem ví!

Quarta-feira, Março 19, 2008

Volta às Raízes


Voltar às origens nunca é fácil. Lembro de um filme com o Robert Downey Jr., que ví há alguns anos, do qual ele se reúne com a família na casa dos pais depois de anos ausente. Estou me sentindo esse cara.

Estou de volta à minha cidade natal, depois de 14 anos. Eu não diria que o sentimento de nostalgia me ronda, afinal esta cidade mudou assustadoramente. Não é mais uma cidadezinha caipira que eu estava acostumado, onde eu não sabia quem as pessoas eram mas todos sabiam quem eu era. Algumas ainda sabem, mas agora há tantas pessoas que vieram de fora que eu mesmo me sinto um visitante.

O motivo de eu ter vindo para cá foi a esperada viajem para a Inglaterra. Sabendo que aqui eu poderia voltar a ter as mordomias de ter almoço na mesa e roupa lavada e ainda sem gastar um centavo, não hesitei.

Bom, meu novo lar foi a casa do meu pai, onde também moram minha avó, minha tio, meu tio e minhas duas primas. Mas como as coisas comigo não ocorrem com normalidade e os lugares onde vivo são sempre excêntricos, meu quarto foi o cômodo que estava vago, o quartinho do lado de fora da casa onde até o momento estava sendo usado de depósito (de tranqueiras e móveis velhos). Na verdade não se pode dizer que "estava", pois ainda é usado para este fim. O que consegui fazer foi amontoar as caixas e tranqueiras num canto do quarto, e ficou assim até o teto. Nesta montanha de coisas você encontra desde tapetes enrolados até quadros de casamentos, forninhos de acampamento, gravadores antigos, baralhos milenares, ferramentas estranhas malas estampadas de xadrez, violão ganho pela minha tia nos anos 70 e até jornais datados anos 90, 80, 70 e possivelmente 60. Todos estes objetos reunidos me gerou a preocupação de abrigar família de baratas, ou um grupo mais populoso. Bom, o que aconteceu até agora foi que só ouvi barulhos vindos da montanha de tranqueiras, mas ver mesmo não ví nada. E espero não ver.

Mas é engraçado saber que neste mesmo quarto meu pai viveu quando tinha minha idade (mais de 30 anos atrás), e posteriormente outros membros da família também habitaram aqui. Mas eu mesmo nunca imaginei que viveria sob este teto, principalmente agora, com as goteiras.

Logo nas primeiras noites choveu, choveu muito. Eu tinha sido informado sobre as goteiras mas não pensei que fosse tão grave. Acordei no meio da noite com a goteira bem do meu lado, e a gota ao pingar no chão respingava na minha cara. Um belo modo de acordar alguém, claro. Lá fui eu cobrir a TV (a salvando da morte certa) , arrastar o colchão e pegar um balde. Mas notei que havia outra goteira no outro canto do quarto, próximo ao PC. Arrastar móveis velhos e mais balde. Vou me deitar e começo a ouvir pingos, agora em cima das sacolas, no outro canto do quarto.

E minha sina é arrastar móveis e colocar balde ou panela, parecia desenho do Pica-Pau.

Mas morar aqui é bom, tem speedy, gente pra conversar, comida, roupa lavada... nada melhor que umas férias antes de ir penar na terra da Rainha!

Sábado, Março 15, 2008

Sometimes You Can Make It On Your Own.

Eu estava certo, o tempo não é relevante. De fato, ele não tem importância nenhuma em assuntos ligados a afetividade.
A noite de 14 de Março não correu como eu esperava claro. Se tivesse, o blog não teria tanta graça.
Estou refazendo este post. Quem está sempre por aqui sabe que as vezes refaço postagens, isso acontece porque muitas vezes, na hora de escrever, os ânimos se exaltam e saem palavras que posteriormente podem não trazer o tipo de retorno que se pode considerar seguro.
Se eu escrevesse aqui o que realmente se passa na minha cabeça a respeito dos que orbitam minha vida, muita gente ia me odiar.

Sexta-feira, Março 14, 2008

Parabéns Para Mim!

Muito tempo se passou desde minha última postagem. Tem gente que já deve estar imaginando que abandonei o blog. Isso não vai acontecer tão cedo, até porque logo este será meu único meio de dar notícias a respeito de mim para aqueles que me conhecem e desejam saber se estou vivo.
Engraçado que quando posto com freqüência, reclamo da falta de atividade ao meu redor. Que nada acontece e que a rotina impera. Mas quando coisas começam a acontecer não sobra tempo para escrever a respeito disso no blog, e nem mesmo sobra calmaria na mente, principalmente na minha. Tudo fica bagunçado e um turbilhão de pensamentos me impede de pegar no sono à noite.
Hoje é meu aniversário... Não que seja algo que traga muita animação, mas traz um ano a mais de percurso. Vinte e três, para ser mais exato. Não sou daqueles traumatizados que detestam o próprio aniversário, mas posso afirmar que ainda estou esperando um 14 de março legal, espero que seja este, pois no último eu chamei praticamente todas as pessoas que conheço para celebrarem comigo num bar mas o desfecho foi típico de filme de comédia, eu sentado na mesa sozinho até aparecer apenas uma das vinte pessoas que chamei. Mas foi bom, tentei me animar, afinal era uma amiga que conheci quando eu ainda borrava as calças, dormia com ursinho e chupava o dedo. Não que o tempo seja algo tão relevante, afinal minha própria mãe me conhece há quase 23 anos e não apareceu naquela noite.

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

When You Were Young

Na tarde da última segunda feira, logo após o trabalho, peguei um ônibus para Agudos. Deveria ir pra lá para um exame de sangue no dia seguinte às 7:00 da manhã (diga-se de passagem: =\ ).

Cheguei na casa dos meus avós, tomei um banho, jantei.. conversa vai, conversa vem, minha vó me chama para mostrar um envelope A4 cheio de cartas. Cartas! Cartas escritar pela minha mãe, meu irmão e por mim em 1995, quando acabávamos de ter mudado da cidadezinha Agudos para a metrópole Campinas.

Bem mais tarde, quando estava pronto pra dormir, resolvi ver as cartas mais detalhadamente na cama. E que história... muitas lembranças perdidas, muitos momentos contados, tristezas compartilhadas...

Foi interessante ver meu irmão contando das gatinhas da escola, minha mãe contando que o chefe do meu pai queria que ele o secretariasse, organizasse reuniões pelo telefone, apresentações gráficas, etc.. "... o Fernando não consegue nem organizar a gaveta de cuecas dele, mãe!", ou contando sobre quando foi me levar na ecola no meu primeiro dia de aula da quarta série e nos perdemos na gigantesca escola. Ou até me ver contando sobre o incêndio que quase dominou nosso prédio e levou minha tartaruga pro céu.

Segue um trecho da carta da minha mãe: "Estou enviando o Diarinho (jornal) a vocês. O Julian escreveu pra lá, mandou uma história em quadrinhos que ele desenhou, me encheu o saco pra por no Correio, e não é que publicaram a carta dele? Ele é tão surtudo que quando foi comprar o jornal no sábado, tinha uma fotógrafa do Diário do Povo na banca e até o ajudou a procurar a carta dele. Ela falou para ele escrever mais vezes e mandar uma foto pra sair no Diarinho. Até a historinha do Cebolinha que ele pediu, publicaram..."

Mas o mais surpreendente foi ver o modo de pensar de cada um na época, assim descobri coisas que passavam em branco naqueles dias. Minha mãe contando sobre umas fotos 3X4 que tiramos, eu e meu irmão, com camisas que insistimos para ela comprar (horríveis!). A preocupação com nossas amizades, com o fato de ficarmos presos no apartamento cheios de energia dos 10, 11 anos....

Outro trecho da minha mãe, demostrando um típico problema familiar: "... Acabei de levar o Ju na escola e infelizmente colocaram ele de manhã. Vou ver se consigo trocar para a tarde, senão minha vida vai ser um rolo! Isto aqui vai virar um hotel com 3 horários de almoço: o do Fernando (meu pai), do Julian e do Cristian (meu irmão)..."

Me bateu uma tristeza por entender o que éramos e o que nos tornamos.

Éramos uma família de 4 pessoas felizes um com o outro, com a novidade de uma nova cidade. E esta nova cidade por ser grande e assustadora nos unia ainda mais. Lutávamos com os horários, com a falta de grana e o perigo eminente do desemprego.

Nos tornamos 4 pessoas sozinhas. Cada uma vivendo em uma casa diferente, pensando nos momentos de outrora e tentando compensar esta dor com alegrias passageiras.

Vou em frente, agora, com esperança no futuro e assim poderei recompensar isso um dia, com minha futura família.

Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

Mind Games

A postagem Mind Games que aqui estava foi excluída. Ela dará lugar a outra postagem mais apropriada. O motivo é simplesmente a falta razão e excesso de emoção. Isso, aliás, é muito bem descrito pela amiga blogueira Grazielle em Razão e Emoção, recente postagem de seu (ótimo) blog Conjunto de Palavras. Mantenho aqui apenas uma letra muito significativa neste momento, de John Lennon.

Jogos Mentais - John Lennon
Nós estamos jogando esses jogos mentais juntos,
Expandindo as barreiras,
plantando sementes.
Fazendo a guerrilha mental
Cantando o mantra: Paz na Terra!
Todos nós estamos jogando esses jogos mentais eternamente
Algum tipo de maluco levantando o véu.
Fazendo a guerrilha mental
Alguns chamam isto de mágica, a busca pelo Graal
Amor é a resposta
E você sabe disso, com certeza
Amor é uma flor
Você tem que deixar, você tem que deixá-la florescer
Então continue jogando esses jogos mentais junto
Fé no futuro, tirando o agora
Você apenas não pode vencer essas guerrilhas mentais
Absolutamente em outro lugar nas pedras de sua mente
Sim, nós estamos jogando esses jogos mentais eternamente
Projetando nossas imagens no espaço e no tempo
Sim é a resposta
E você sabe disso, com certeza
Sim é se entregar
Você tem que deixar , você tem que deixar rolar
Então continue jogando estes jogos mentais junto
Fazendo o ritual: A Dança ao Sol
Milhões de guerrilhas mentais
Pondo o poder de suas almas à roda Karmica
Continue jogando esses jogos mentais eternamente
Elevando o espírito de paz e amor
Amor...Eu quero que você faça amor, não faça guerra!
Eu sei que você já ouviu isso antes.

Domingo, Fevereiro 03, 2008

A Partida

Visão, olfato, som e tato.
Há algo lá fora que preciso muito
A visão de um som,
ou o toque de um cheiro
Ou a força de uma árvore,
com raízes profundas ao chão.
A mistério das flores, brotando,
depois surgindo e crescendo
Karma que me leva...
ao Sol, de novo
Voar ao Sol sem queimar as asas
Pra deitar no solo e ouvir a grama cantar
Para ter todas estas coisas...
na nossa curta memória
Para usar isto
Para ajudar
Para encontrar...
Julian Criscione (03/12/2007)

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

A Knight's Tale

Um certo dia aluguei o filme "O Patriota". Como o próprio nome diz, é um drama americano extremamente patriota, mas muito bom. O Mel Gibson sempre foi um dos meu atores favoritos, mas naquele filme percebi que outro ator conseguiu atingir ou se aproximar do mesmo nível técnico dele. Pouco tempo depois assisti o filme que se tornou um dos meus favoritos, Coração de Cavaleiro (A King's Tale). Esta semana, a notícia de sua morte prematura não passou em branco na minha mente, assim como não poderia passar em branco no Blog.
Segue, a seguir, uma singela homenagem a Heath Ledger:

Heathcliff Andrew Ledger (Perth, 4 de abril de 1979Nova Iorque, 22 de janeiro de 2008) foi um ator australiano. Depois de papéis na televisão durante a década de 1990, Ledger iniciou sua carreira em Hollywood. Estrelou em sucessos de público e crítica como 10 Things I Hate About You, The Patriot, Monster's Ball, A Knight's Tale e Brokeback Mountain, pelo qual recebeu concorreu ao Oscar de melhor ator principal. Em 2007, concluiu sua performance de Coringa no filme The Dark Knight, ainda não lançado, que será seqüência de Batman Begins. Foi encontrado morto em seu apartamento de Nova Iorque em 22 de janeiro de 2008, aos 28 anos de idade.


Vida familiar


Ledger nasceu em Perth, Austrália Ocidental. Era filho de Sally Ledger Bell, uma professora francesa, e Kim Ledger, um piloto de corridas e engenheiro de minas.[1] A mãe de Ledger descende do clã Campbell da Escócia e a família de seu pai é conhecida em Perth por ser a dona da Casa de Fundição Ledger.[2] Tinha três irmãs, Kate, Olivia Ledger e Ashleig Bell. Heath e sua irmã Kate receberam esses nomes como homenagem aos personagens principais do livro Wuthering Heights de Emily Brontë. A Fundação de Caridade Sir Frank Ledger recebeu esse nome por causa de seu bisavô.[3] Ledger estudou na Guildford Grammar School, onde teve sua primeira experiência de ator numa peça sobre Peter Pan, aos 10 anos de idade.[4]


Carreira

Década de 1990
Aos dezesseis anos de idade, Ledger fez exames de graduação rápida no
ensino médio e partiu para Sydney com o melhor amigo, Trevor DiCarlo, para tentar se consolidar como ator. Voltou para Perth para atuar no seriado de televisão Sweat de 1996.
Em 1996, antes de fazer sua estréia no cinema australiano em Blackrock, Ledger se envolveu em Roar um seriado de duração curta da
Fox Broadcasting Company. Em 1999, Ledger estrelou na comédia adolescente 10 Things I Hate About You e começou a ganhar visibilidade nos Estados Unidos da América. Também naquele mesmo ano estrelou no aclamado filme australiano Two Hands.

Década de 2000
De
2000 até 2005, Ledger estrelou em The Patriot, Monster's Ball, A Knight's Tale, The Four Feathers, Ned Kelly, The Order e The Brothers Grimm. Em 2001, ganhou o prêmio ShoWest de Futura Estrela Masculina com base em suas performances em The Patriot e A Knight's Tale. Em 2003, foi nomeado um dos atores favoritos daquele ano pela edição australiana da revista GQ.
Em 2005, Ledger recebeu o prêmio de melhor ator do Círculo de Críticos de Cinema das cidades de Nova Iorque e de
São Francisco por sua aclamada performance no filme Brokeback Mountain de Ang Lee. Neste, Ledger interpreta um cowboy de Wyoming chamado Ennis Del Mar, que se apaixona pelo sonahdor Jack Twist, interpretado por Jake Gyllenhaal. Por esta performance, também recebeu indicações aos prêmios de melhor ator dos prêmios Globos de Ouro e Oscar.
Também em 2005, Ledger interpretou uma versão fictícia de
Giacomo Casanova em Casanova. O filme, uma comédia romântica co-estrelada por Sienna Miller e Jeremy Irons, recebeu duras críticas e pouca bilheteria, sendo o primeiro filme de Ledger a não obter êxito comercial ou crítico.
Em
2006, Ledger foi convidado a se tornar membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em 2007, foi um dos seis atores a interpretar Bob Dylan em I'm Not There.
Ledger interpretou o
Coringa, vilão das histórias em quadrinhos de Batman, em The Dark Knight, sequência de Batman Begins de 2005. O filme têm estréia mundial prevista para 18 de julho de 2008. Como o filme já estava em etapa de pós-produção após a morte de Ledger, não deve sofrer alterações, no entanto, não se pode dizer o mesmo sobre a campanha de marketing centrada ao redor de seu personagem.
Heath estava filmando
The Imaginarium of Doctor Parnassus na época de sua morte. Os produtores não sabem se irão continuar a filmar o filme sem ele.
Filmografia

1988 - Home and Away (TV)
1992 - Clowning Around
1993 - Ship to Shore (TV)
1996 - Sweat (TV)
1997 - Roar (TV)
1997 - Paws (PC - Digitando Confusões)
1997 - Bush Patrol (TV)
1997 – Blackrock (Assassinato em Blackrock)
1999 - 10 Things I Hate About You (10 Coisas que Eu Odeio em Você)
1999 - Two Hands
2000 - The Patriot (O Patriota)
2001 - A Knight's Tale (Coração de Cavaleiro)
2001 - Monster's Ball (pt: Depois do Ódio / br: A Última Ceia)
2002 - The Four Feathers (As Quatro Plumas)
2003 - The Order (O Devorador de Pecados)
2003 - Ned Kelly (Ned Kelly)
2005 - Lords of Dogtown (Os Reis de Dogtown)
2005 - Casanova
2005 - Brokeback Mountain (O Segredo de Brokeback Mountain)
2005 - The Brothers Grimm (Os Irmãos Grimm)
2006 - Candy
2008 - The Dark Knight

Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

A Day In The Life


8:10

Acordo pelo despertador do celular, perto de mim. Abro os olhos com uma preguiça extrema e apenas após o despertador tocar 3 vezes as primeiras notas de Miracle Drug consigo levantar.

Pouco depois estou saindo de casa, rumo ao trabalho. Não posso reclamar, fica há apenas 2 quadras de casa. Nas ruas não há ninguem. Nenhum carro, nenhuma pessoa indo ao mercado. Nenhum cachorro vira-latas dando sua caminhada matinal.

Quando chego abaixo pra destravar a grande porta de ferro, a levanto, destranco a porta de vidro e desativo o alarme. O lugar é o mesmo que venho vendo nos últimos 16 meses da minha vida, uma loja de celulares.


9:00

Faço uma breve limpeza na minha mesa, ligo o filtro de água, o rádio, as máquinas de cartão de crédito, as impressoras, os ventiladores de teto, meu computador e o servidor no fundo da loja. Coloco os celulares na vitrine, pego a chave na minha gaveta e abro a loja.

Dou uma passeada pelo Orkut, e-mail, formulários da TIM.. papelada chata... canto uma musiquinha... fazia tempo que não ouvia Beatles...

Ninguém entra no lugar, ninguém telefona. No MSN não há ninguem, apenas meu próprio nome on-line. Me faz pensar: como adicionei a mim mesmo no MSN?


12:00

Desligo o monitor do PC, apanho meu celular, minha carteira, meus óculos escuros e saio pela porta de vidro. Caminho 3 quadras até a rua Gustavo Maciel onde ao contornar à esquerda já vejo o Restaurante Quintal. Apesar do nome, ele não é num quintal, é muito agradável o lugar e não lota tanto como em outro. Mas não há absolutamente ninguém neste momento. Eu contorno o caminho da fila para passar pelo churrasqueiro e quem sabe pedir um medalhão de frango, ou um cupim. Mas como ele não está passo direto, até o balcão das comidas. Coloco mais feijão e menos arroz, mais batata-frita e menos salada. Apanho os talheres e me sento na mesa habitual, perto da TV para eu poder ver um pouco do jornal. Se houvesse alguma compania eu escolheria a mesa na varanda do restaurante, onde é mais agradável e dá um clima mais "externo".

Em vinte minutos já tenho terminado e estou satisfeito. A caixa não está lá para cobrar, portanto apenas me levanto e saio pela porta.


15:00

Ninguém. Dá vontade de me comunicar um pouco, então procuro no computador alguma música que eu saiba cantar. Quem sabe aquela do Elvis, Burning Love!


18:00

Hora de ir embora, e é hora do rush. Mas nenhum carro buzina, nenhum ônibus corta a avenida, ninguém atravessa a rua correndo. Guardo os aparelhos, desligo tudo, baixo a porta de ferro, aciono o alarme e vou-me embora.

Chego em casa em pouco tempo. O lixo ainda está do lado da árvores. Os lixeiros devem estar de greve! Abro o cadeado, entro pelo portão, atravesso a varanda e destranco a porta da sala. Entro pela porta do meu quarto e me esparramo na cama, descansando por 5 minutinhos apenas. Levanto, vou até o banheiro tomar um banho.


19:20

Deitado na cama assisto um pouco de TV, apenas há desenhos... e jornal exageradamente trágico... jogo um pouco de poker no celular, leio algum livro que está em cima da mesinha do canto, ou um anúncio de TV a cabo qualquer...


20:00

Ligo o PC, já coloco alguma música... ligo a internet. Ninguém no MSN ainda, nenhum recado no Orkut e não há e-mails novos... Nada mais resta a fazer senão escrever um pouco no blog, me sinto inspirado hoje!


23:30

Desligo o PC, vou até a cozinha e da geladeira retiro um pote de 2 litros de sorvete. Ao invéz de pegar um potinho e um talher, pego apenas a colher e ja vou experimentando a caminho do quarto. Ninguém liga, ninguém aparece em casa. Coloco algum filme no DVD... Ainda não terminei de ver Yellow Submarine!


0:45

Escovo os dentes, saio pela porta da sala até a varanda apenas pra dar uma olhada no céu. Um silêncio tão grande que ecoa pelos quilômetros que me cercam. Nenhuma voz, nenhum som de carro ao longe. Está esfriando! Entro, tranco a porta da sala. Ja vou em direção ao quarto. Tranco a porta do quarto, pego uma garrafinha de água que está sob a mesa do computador e coloco ao lado da cama. Ajusto o despertador do celular, coloco a TV em um canal qualquer para dar sono e apago a luz.


1:50

Desligo a TV, viro de lado, fecho os olhos e me pergunto:
"Estou invisível para o mundo ou o mundo está invisível para mim?"